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Steen Meyerhoff

Credenciais: Steen Meyerhoff tem o Master of Science
em Criação de Produtos Inovadores pela Universidade
Técnica Dinamarquesa e juntou-se à Nokia em Maio
de 2000. As suas funções passam por identificar
tendências de estilo e moda relevantes para os
diferentes designs que a empresa desenvolve,
entender tendências e caminhos sociológicos nas
várias regiões geográficas e alcançar um insight
profundo no que respeita ao comportamento
e necessidades dos utilizadores.
Meyerhoff foi entrevistado pelo Bruno Fonseca.

O que é mais difícil? Criar um novo design ou desenvolver toda
a história
e ambiente que dão expressão e até mesmo origem
a esse determinado design?
Steen Meyerhoff – Criar um design ou desenvolver o ambiente que lhe dá
origem são duas tarefas que basicamente andam lado a lado. Os designers
industriais participam na criação da história por detrás de um determinado
produto e as pessoas responsáveis por essa história vão participar na criação
do design. Por este motivo não considero que exista uma tarefa mais difícil
do que outra.

Que aspectos tem em consideração na criação
da história de um novo produto?

S. M. – Nós começamos sempre por observar o mundo à nossa volta
e também os utilizadores que esperamos que se venham a apaixonar pelos
nossos dispositivos. Ou seja, temos que estar atentos às novas tendências
globais em termos de estilo, design e moda, e também a que tecnologias
a Nokia pode usar nos seus produtos, porque a tecnologia pode inspirar
ou limitar a história de um determinado produto e o seu design.
Mas de qualquer forma eu considero que o mais importante é compreender
as tendências e valores humanos e sociológicos. No caso da colecção L’amour,
as principais tendências foram a cultura e o “Status”.
Existe uma convergência entre Arte, cultura, ambiente e sistemas étnicos
e as pessoas querem ver isso patente em alguns dos seus produtos de uso
diário. Já no que toca ao Status, as pessoas dão cada vez mais importância
a autenticidade, ao design e marcas com o objectivo de se distinguirem na
multidão. Isto tudo para dizer que os produtos devem oferecer mais do que
apenas vantagens em termos de funcionalidades. As pessoas gostam de usar
produtos que tenham historia. Gostam de ser inspiradas por eles e de se
apaixonarem pelos telemóveis…

Quando cria estas peças de design procura contactar com conhecidos
criadores de moda que possam de alguma forma ajudar na concepção
do produto?

S. M. – As duas colecções de moda que temos foram desenvolvidas pela nossa
própria equipa de design.



Nas duas colecções lançadas pela Nokia, nomeadamente nos telemóveis

7260/7270/7280 e na colecção L’Amour, é capaz de eleger um favorito?
S. M. – É difícil eleger um favorito já que todos eles são bons à sua própria
maneira. Há uns anos visitei um viticultor francês e perguntei-lhe qual dos
seus vinhos era o seu favorito; e ele respondeu-me que dependia muito do
seu estado de espírito e da ocasião; se ele estivesse sentado em frente de
uma lareira num dia frio de Inverno ele escolheria um determinado vinho.
Se estivesse a jantar num belo dia de Verão escolheria outro. É um pouco
isto o que sinto no que diz respeito às colecções da Nokia. Existe um telefone
para cada estado de espírito e ocasião.

Já considerou criar uma linha de dispositivos móveis inspirados no cinema?
Podemos esperar algo assim no futuro, especialmente para os amantes
da sétima arte?

S. M. – Quem pode prever o futuro? Quando estamos a olhar para a
próxima geração de telefones móveis, estamos a considerar todo o tipo
de novas funcionalidades para o produto, bem como novos temas para
a colecção. Quando lançamos novas colecções de telefones móveis,
da forma como a Nokia o tem feito até agora ficamos entusiasmados pela
forma como as pessoas ficam surpreendidas, maravilhadas, intrigadas
e mesmo apaixonadas quando tomam contacto com algo que nunca viram
e nunca esperaram. Por isso mesmo não vamos privar as pessoas dessas
sensações ao revelarmos o que a Nokia vai fazer a seguir… Temos de ter
paciência e esperarmos para saber que tipo de colecção a Nokia vai
apresentar no futuro.

É difícil estabelecer a ligação entre design e funcionalidade?
S. M. – Não quando criamos produtos que têm o objectivo de oferecer
ao utilizador os benefícios funcionais e a simplicidade de uso patente
nos telemóveis da Nokia. De qualquer forma, é importante salientar que
a necessidade de estabelecer uma ligação entre o design e as funcionalidades
está sempre presente em todos os membros da equipa de concepção. Apesar
de estarmos a criar pequenas obras de arte, temos sempre em consideração
que estes dispositivos são acima de tudo telemóveis que serão usados todos
os dias e em circunstâncias muito diferentes. Ou seja os telemóveis da
colecção L’amour preenchem os mesmos standards dos outros dispositivos
móveis. É muito interessante manter o equilíbrio correcto entre design
e funcionalidades. Apesar de algumas pessoas acreditarem que um bom
design e boas funcionalidades são coisas opostas, a colecção L’amour mostra
que podemos utilizar o design para aumentar as funcionalidades de um
determinado produto. Quando um utilizador coloca um telemóvel desta
colecção pela primeira vez na sua mão apercebe-se rapidamente que foram
necessárias doses elevadas de criatividade e inovação para se produzir um
objecto tão pequeno que ao mesmo tempo mantenha todas as expectativas
e muitas funcionalidades a que a Nokia habituou os seus clientes.

Fonte: Bitaites
Para mais informações consultar: www.nokia.com
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